Mês da Bíblia: Livro da Sabedoria

Estamos no mês da Bíblia, e a Igreja nos propõe o estudo do livro da Sabedoria, tendo como tema específico...

CURIOSIDADES BÍBLICAS
Algumas curiosidades sobre o mês da bíblia

Publicado em 01/Set/2018

 

Como estamos no mês da Bíblia, vamos falar de algumas diferenças e curiosidades da Bíblia em suas várias versões: Católica, Protestante, Ortodoxa e Hebraica.


A palavra Bíblia vem do grego biblíon, nome dado aos livros feitos de papiro. O termo surgiu por causa da cidade fenícia de Biblos, de onde os gregos importavam papiro para fazer seus registros. Foi São Jerônimo que criou a expressão hagia bíblia ("Biblioteca divina"), em latim.


A Bíblia católica contém 73 livros, e a Bíblia protestante, 66 livros e alguns capítulos a menos de Ester e Daniel. Temos também a Bíblia ortodoxa, com 80 livros.


Os livros presentes na Bíblia católica que não aparecem na protestante são: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, 1 Macabeus e 2 Macabeus.


Além desses 7 livros, temos ainda a ausência desses textos nas Bíblias Protestantes: Ester 10,4-16,24 e Daniel 3,24-90; 13-14.


A diferença se encontra no Antigo Testamento, enquanto que, para o Novo Testamento, todas as duas bíblias têm os mesmos livros, ou seja, 27.


Por que faltam esses sete livros na bíblia protestante?


Em poucas palavras, na Bíblia protestante faltam 7 livros. A origem dessa diferença começou no século 16, quando o padre alemão Martinho Lutero rompeu com a Igreja Católica, dando início ao movimento conhecido como Reforma Protestante. Lutero achava, por exemplo, que a interpretação da Bíblia poderia ser feita por qualquer pessoa, sem a intermediação da Igreja. Para marcar ainda mais a diferença entre os protestantes e a Igreja Católica, Lutero decidiu rever a Bíblia. A versão Católica do Antigo Testamento sempre se baseou na Septuaginta, uma tradução da Bíblia judaica para o grego, muito popular na época de Jesus. Nesse processo de tradução, alguns textos foram acrescentados: entraram sete livros novos (Macabeus 1 e 2, Judite, Tobias, Sabedoria, Eclesiástico e Baruc) e trechos extras de dois livros já existentes (Daniel e Ester). Lutero optou por seguir uma versão do Antigo Testamento, baseada em manuscritos em hebraico, que não continham os sete livros citados acima.


Entre os cristãos, além das bíblias católica e protestante, há uma terceira bíblia pouco conhecida, aquela comum entre as igrejas ortodoxas grega e russa. Essa bíblia contém até 53 livros para o Antigo Testamento, isto é, 7 a mais do que a bíblia católica: 1 Esdras, Salmo 151, Oração de Manassés, Salmos de Salomão, Carta de Jeremias (Texto presente em Baruc, na Bíblia católica), Susana (Capítulo 13 de Daniel católico) e Bel e o Dragão (Capítulo 14 de Daniel católico).


Somando-se esses 53 livros aos 27 do Novo Testamento, obtêm-se 80 livros.


Em relação aos números estatísticos, que tanta gente tem curiosidade em saber (quantos versículos, capítulos, letras, etc. contém a Bíblia), estamos diante de uma questão complexa.


Primeiro de tudo: quanto ao conteúdo, os capítulos e versículos não têm nenhuma importância, visto também que não fazem parte do texto original. De fato, foram acrescentados, textualmente, somente em época muito tardia. Nenhum livro da Bíblia foi escrito com capítulos numerados.


Em 1205, Stephen Langton, arcebispo de Cantuária, introduziu a divisão em capítulos, e os versículos foram acrescentados somente em 1551, por Robert Stephanus.


Para fazerem essa divisão, os dois autores utilizaram-se da tradução latina da Bíblia, a Vulgata. Além disso, existem algumas diferenças entre as edições, sobretudo em relação aos versículos. E depois, a outra questão sobre as letras é, de verdade, impossível responder. Cada edição é fruto de um tradutor que usou palavras diferentes para traduzir uma palavra original, em grego ou hebraico. Por exemplo, um tradutor, em 1Coríntios 13, pode ter usado “caridade”, e outro, “amor”, e isso influencia a conta final de letras, e também de palavras. Poderíamos tratar diretamente os textos em grego e hebraico. Mas também, nesse caso, não é fácil, pois existem diversas variantes, visto que não temos mais em mãos os textos originais dos autores. E também nesse caso, dependendo da escolha da variante, o resultado final muda. Portanto, se você quer saber estatísticas exatas da Bíblia, precisa definir uma edição. E quando vê uma estatística na WEB, nunca acredite, fielmente, como "Estatística da Bíblia", mas, eventualmente, como uma determinada edição. E se não diz que edição é, não é uma estatística séria.


Quanto à linguagem original da Bíblia: os textos do Antigo Testamento foram escritos em aramaico (antiga língua usada em partes do Oriente Médio) e em hebraico (idioma ainda hoje usado em Israel). Os textos do Novo testamento foram escritos em grego, em copta (idioma que vem do egípcio antigo) e também em aramaico.


Para nos ajudar nos estudos da Bíblia, temos a exegese e a hermenêutica. A palavra “exegese” é um termo grego para explicar o trabalho que fazem os estudiosos na análise de um texto bíblico. Significa “tirar de dentro” tudo o que o texto diz. A palavra “hermenêutica” também é uma palavra de origem grega e significa o trabalho de encontrar a mensagem que está escondida por trás das palavras e aplicá-la hoje.

 
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